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por Gustavo Jreige

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Sábado, Fevereiro 25, 2006


Manchete sacana
A home do UOL tem essa notícia como principal destaque: Rainha da Mocidade 'pega fogo', fecha desfile e vai para hospital. Que sacanagem!
Coitada da moça, a Nani Moreira (que tem muito carisma e certamente faria sucesso na TV), da Mocidade Alegre, que teve transtornos com os fogos de artifício que compunham sua fantasia. O efeito deu problema (a nota do UOL diz que "deu chabu"), fazendo com que ela se queimasse levemente e que o adereço fosse arrancado às pressas pelos bombeiros. Ela, mesmo queimada, continuou a sambar, por amor à Escola. Depois recebeu atendimento médico dentro de uma ambulância no sambódromo e voltou pra passarela do samba, com sorriso. Uma bela prova de amor e de garra.
Depois de tanta emoção, a morena certamente rirá com a manchete do portal. Bem sacada, divertida (até demais pra situação, mas apropriada para o evento).
Aliás, a prática de manchetes e notas mais descontraídas em finais de semana, madrugadas e feriados parece cada vez mais comum com nossos pobres e sonolentos jornalistas de plantão. E não são só casos bobos e bem sacados como o de hoje, chegam a ocupar a nota inteira e até a conter coisas absurdas, como nas fotos abaixo, que eu tirei do canal interativo da TV Globo News em dezembro:



A nota provávelmente também estava no Globo Online (embora hoje eu não tenha conseguido achar) e não foi a primeira vez que isso aconteceu por lá. Falta de educação, respeito, responsabilidade e controle, inadimissível. Acredito que o autor das brincadeiras já tenha sido demitido ou enquadrado, além dessas notas terem sido retiradas do portal.

Por mais que falte supervisão nesses dias, a ética e o bom senso nunca devem sair de folga. Bom humor e descontração podem acrescentar muito ao texto, desde que em doses adequadas.
De qualquer forma, nessa tarde, a homepage do UOL ficou bem peculiar e divertida, como o carnaval pede.

A todos os leitores, um ótimo carnaval.

Publicado por Gustavo Jreige em 14:00,


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Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006


Futuro Rei da Mídia
Ele era simples, não tinha muitos recursos, mas era bem eficiente. Realizava seu trabalho de forma satisfatória. Ficou famoso. Foi crescendo e melhorando, aprendendo coisas novas e obtendo muito sucesso. Ficou rico, muito rico. Sua mente brilhante fez com que ganhasse prestígio na internet e fizesse coisas que seriam idolatradas. Ficou poderoso. Poderoso demais, talvez. Ganhou inimigos e guerras foram declaradas. Ele não liga, já virou mito e reescreve a história da mídia a cada dia. Continua imbativel e inovador.
Procurou páginas e lugares, buscou pessoas, encontrou novos formatos. Foi pras páginas de revista, frequentou os noticiários. Ninguém sabe mais viver sem ele. E cada vez mais ele está mais presente. Agora estréia na TV e pode se tornar dono de uma emissora. É o sinal mais claro de que o futuro será cross media e diferente. Ele quer dominar a mídia. Vai conseguir.

Update: Link consertado. Obrigado, Rafa!

Publicado por Gustavo Jreige em 15:05,


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Sábado, Fevereiro 18, 2006


O Brasil e a Televisão

Nossa televisão já completou 55 anos e, como toda boa senhora, tem grandes histórias para contar. Entre todas, a sua própria crônica é a de maior valor, pois agrega todas as vertentes de nossa sociedade, de escândalos políticos à tendências sociais; da educação ao escárnio dos valores; do doce amor a vergonhosa escatologia.
O que já foi um sonho, hoje é nosso maior meio de comunicação e a principal fonte de cultura do país. Grande poder, imensa responsabilidade.
O atual panorama do veículo nos permite ver a soberania de uma grande rede, capaz de mudar a opinião de um país sobre qualquer assunto, a fragilidade da população em frente a tantas informações e a busca desenfreada pela audiência, passando por cima de qualquer ética. A televisão está cada dia menos sensata ou fomos nós que dispensamos a sensatez?
No passado, experimentos e escândalos; no futuro milhares de oportunidades e caminhos.
Em comemoração ao qüinquagésimo quinto aniversário da TV brasileira, no próprio dia em que nossa televisão comemorava mais um ano de vida (19/10), entrevistei, especialmente para o OutrOs OlhOs, o pesquisador Elmo Francfort, da Pró-TV.
Elmo nasceu em São Paulo, numa família de pioneiros profissionais de diversos ramos da comunicação no país, o que o levou a ter contato com o meio desde cedo. Cresceu nos bastidores da TV Manchete e se apaixonou pelo veículo televisão, se tornando profissional dele. Hoje atua como pesquisador e assessor da presidência da Pró-TV e prepara um livro sobre a TV Manchete para a Coleção Aplauso, coordenada por Rubens Ewald Filho e editada pela Imprensa Oficial do Estado.
Falamos sobre a bela e polêmica história, o discutível presente e os rumos da Televisão Brasileira por mais de duas horas. O resultado dessa conversa você confere abaixo.




OutrOs OlhOs: Da estréia a hoje, qual o maior feito da televisão e seu maior equivoco?
Elmo Francfort: Não há um, há vários, tanto feito, como equívocos. Na minha opinião o maior feito da televisão é algo que não está datado em um único acontecimento, mas na seqüência de muitos, em um processo que sempre continuará. Falo da busca de superar limites. Só que toda superação de limites também causa equívocos. Há coisas que merecem chegar aos limites, como as transmissões via satélite para todo mundo. Mas a baixaria é um equívoco que também foi gerado por limites extravasados.


OO: A TV possui um papel centralizado no país, ditando padrões culturais e interferindo em quase todas as esferas da nossa sociedade. Tal centralização e importância não são nocivos à população e ao próprio veículo?
EF: Eu acho que é mais prejudicial para o meio do que para a sociedade. Quando a influência da televisão se torna nociva, o telespectador tem o poder de mudar de programação. É tudo uma questão de repertório e gosto. Émais fácil a mudança de canal do que tirar um programa do ar e fabricar uma nova atração. A televisão é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que ensina também pode deseducar. É importante o telespectador ter consciência do que está vendo. E isso é algo complicado por causa do famoso "vício televisivo". É por estas e outras que entidades como a Pró-TV, a TVer e a IETV lutam pela volta da qualidade na TV. Não que ela não exista. Existe sim, mas fica a dever.


OO: E como essa luta acontece? Ela tem apoio da sociedade e de anunciantes?
EF: As três entidades funcionam como ONGs, fazem cursos, palestras, eventos, mas sempre tirando do próprio bolso. E alguma empresa as apóia quando possível. Quase sempre são empresas ligadas ao meio televisivo. Esses eventos debatem a qualidade na TV. A Pró-TV, por exemplo, faz reflexos entre a programação do passado e a atual e levanta as possibilidades que uma televisão futura poderia ter.


OO: Rankings como Quem financia a baixaria é contra a cidadania trazem algum resultado efetivo?
EF: Sim. Em primeiro lugar dá aquele "click" na cabeça do telespectador, desperta a observação. Não que todos os telespectadores estejam sendo motivados a mudar de canal por causa da campanha. Mas há quem jáesteja dosando melhor seu senso crítico. É aquilo de colocar um tijolo de vez. Mas sempre colocar.


OO: Qual é o papel da televisão, retratar e entreter a sociedade ou guia-la? Podemos confiar a ela o papel de referencial cultural?
EF: Lembra o que eu falei de limites? Todos as funções são práticas, mas depende do limite que você as coloca. Guiar é uma palavra muito generalista. Você pode levar esse conceito para um lado ou para outro. Educar éguiar. A TV Cultura guia crianças pequenas para aprender o ABC, as cores ou até mesmo os bichos, como no programa novo com o Renato Consorte - que há muitos anos atrás fazia um programa parecido também na Cultura, chamado "Jardim Zoológico". Mas não podemos associar sempre a idéia de que a TV educativa é a TV de qualidade. Tem muito programa bom com qualidade. E tem diversas qualidades. A de conteúdo e a técnica, por exemplo.


OO: Qual a qualidade é mais importante para uma boa televisão?
EF: Ambas. É claro que conteúdo pesa, mas as vezes a falta do visual, as falhas, ficam tão nítidas que gera o desinteresse do telespectador pelo programa. Tudo tem que ter a medida certa, assim como uma receita de bolo.
Imagine você assistindo a um ótimo programa, só que a imagem fica piscando a todo tempo, gesticulando, etc. Até a MTV, que gosta de fazer diferente, sabe que não pode abusar muito nisso. Se não tivéssemos preocupações técnicas e visuais, a televisão não seria televisão. Seria apenas um rádio com imagens. Mas o conteúdo é muito importante também, afinal ele move o programa. É como um presente, pra criança ficar feliz o que tem que estar dentro deve ser bonito e tenha alguma função que a aproxime do brinquedo. Os humanos querem algo que espelhem a si mesmos, seus gostos, suas vontades.


OO: A programação infantil sofreu mudanças notáveis ao decorrer dos anos. Passamos da inocência educativa de Vila Sésamo à chamada era das loiras, que também já acabou. Desenhos internacionais são quase a totalidade do gênero na televisão, mas programas nacionais como Cocoricó ainda fazem grande sucesso. Essa falta de nacionalidade da maioria dos programas infantis não forma gerações com padrões equivocados, tendo em vista que não retratam a nossa sociedade e não educam para ela?
EF: Tudo isso vem do início da televisão. Os profissionais buscavam como fonte aquilo que os ainda recentes "telespectadores" assistiam. Foi daí que vieram as influências do cinema, do rádio, do teatro e até dos quadrinhos. Você tinha numa mesma época heróis como Capitão 7, que tinha evidentemente raízes dos super-heróis americanos, com capa e super-poderes como o Super Homem. Chegamos a um ponto que não sabemos distinguir o que é 100% nacional e o que não é. É aí que entra aquela expressão do Chacrinha, "na TV nada se cria, tudo se copia". Aprendemos a reciclar coisas e aos poucos inventar. Seguimos evidentemente o modelo americano de televisão. Se vocêfor para a Europa vai ver que já é outra linha de programação.
É um pouco daquilo que Oswald de Andrade sempre destacou: o "antropofagismo cultural". Come-se o que gosta, transforma no gosto do tupiniquim. E joga-se o resto fora.


OO: Mas isso não é prejudicial? O uso de desenhos americanos tira o espaço de desenhos nossos, como a Turma da Mônica, ou nossa produção ainda é insatisfatória?
EF: Não é falta de espaço. É falta de produção própria. Tudo é uma questão comercial. Me diga, não é mais fácil você comprar algo pronto do que gastar para produzir? O que falta é alguém produzir. Éuma questão de consciência mesmo.
A TV Cultura, agora com o Álvaro Moya, um pioneiro de grande nome na televisão e do ramo dos quadrinhos, pretende suprir esta deficiência, pelo menos em parte.


OO: Esse é um dos pontos em que a TV brasileira ainda precisa "amadurecer"?
EF: A TV brasileira precisa amadurecer em muita coisa. Ou melhor, amadurecer não, se transformar novamente, já que ela vive de saturações. Acredito que se saturando as atuais fórmulas, muita coisa boa pode voltar. Como já estávoltando.


OO: Antes tão valorizados na televisão, os programas para jovens rareiam na TV. A que se deve essa atual falta de programação jovem na televisão não segmentada?
EF: Não acham que estejam se tornando raros. Acho que estão encontrando seu espaço. A TV atual está muito mais democrática do que antigamente, justamente pela ampliação de canais e a segmentação. Antes quando vinha uma onda, a televisão mudava totalmente para o modismo e ficava só naquilo até se saturar. Hoje em dia temos vários gêneros e várias "tribos" nos canais. Caldeirão do Huck é por exemplo um programa de auditório, mas que tem como público-alvo os jovens. Mas não se caracteriza como um "programa jovem". Assim como o "Altas Horas" com o Serginho Groisman ("Fala, garoto!"). Se você olhar bem, o jovem ainda está bem representado.


OO: E durante a semana, a que o jovem pode assistir?
EF: Há opções como Malhação e Floribella e programas jovens também.

OO: Como por exemplo?
EF: Olha o G4. É para um público infanto-juvenil, que gosta de vídeo-game. Se procurar bem que você vai encontrar muita coisa.
A crítica tem caído em cima de Floribella dizendo que é uma novela mexicana feita por brasileiros, com mais cara mexicana do que as novelas do SBT. Tem quem fale que segue o estilo de Chiquititas. Isso tem a ver com a proposta da novela. É uma novela que tem um musical por trás, uma proposta comercial voltada a um público que gosta de música e também tem a parceria com a RGB, que tem suas produções voltadas para este meio. Veja "Popstars"...

OO: "Floribella" é uma novela essencialmente infantil, mas que tem grande apelo jovem. A falta de programas que dialoguem sobre a realidade desse tipo de público faz com que ele migre pra atrações desse tipo?
EF: Mas é uma novela infanto-juvenil, com humor leve. E fora que é um campo a ser aberto.Com Floribella as pessoas já estão percebendo que na Band também há novela. Mesmo quem critica tem essa consciência. E agora estão com o Herval Rossano. Vai ter novela com jeito das novelas que a Band já produziu.
Eu até entendo o sucesso de atrações como "Floribella" e "Chiquititas". É por serem leves e divertidas. "Malhação" anda muito crítica, tem como linha desenvolver o pensamento do adolescente para os mais diversos assuntos. E as vezes começam a tratar com temas difíceis, como drogas e AIDS, onde é mais fácil você mudar para um canal que tenha uma trama mais água-com-açúcar. Aí vai pela busca do jovem pelo entretenimento, não só pela informação. Há informações que não entretém, mas preocupam e nesta fase passa pela cabeça do jovem mil coisas. Muitos criam problemas onde não tem. Neste caso, você ficaria com uma novela que discute um problema ou preferiria uma que você pode descansar a cabeça? Se estiver afim de debater o problema com uma seriedade maior, "Malhação". Se quiser debater, mas ter uma boa dose de humor, "Floribella".
Agora, falta um meio termo, um equilíbrio. Não só a informação, nem só o entretenimento. Falta mesmo um programa que se aproxime mais ainda do jovem. O problema que "Malhação" enfrenta é sua longevidade. O público inicial de "Malhação" era um tipo de jovem e hoje já é outro. E a "Malhação" ainda não fugiu totalmente da sua proposta inicial, o que pesa um pouco para essa ligação com o jovem. Ela é um eterno laboratório que tenta aos poucos entender o jovem e ao mesmo tempo filtrar novos talentos para a emissora.

OO: Política e TV sempre andaram juntas em nosso país. Caso o golpe de 64 e a ditadura que o sucedeu não tivessem ocorrido, como estaria nossa televisão? A Globo estaria tão desenvolvida? Teríamos uma disputa mais equiparada entre os canais?
EF: Esta pergunta vou responder com outra pergunta. O que seria da televisão sem a história política? Desde que a televisão nasceu ela a acompanha. Não podemos achar que apenas a Ditadura foi um grande breque para o progresso do meio. Se Getúlio Vargas não tivesse se suicidado, como estaria a Tupi, levando em conta que ele não se dava com Chateaubriand?
É errado dizer que a Globo era a favor do regime e que só por causa dele ela cresceu. É claro que ajudou. A Globo apenas gira conforme a música. E já se deu mal diversas vezes por isso. Mas não é tudo. A queda de outras com seus problemas internos e as crises, e ao mesmo tempo a busca pelo profissionalismo, pela qualidade, também fizeram como que a Globo subisse. Tanto éque todo mundo fala que foi o regime que derrubou a Excelsior. Em parte foi, mas ela mesma se derrubou. E a Excelsior cresceu por causa do profissionalismo, de criar um modelo industrial de fazer TV. A Globo se deu bem porque adotou esse modelo, trouxe para casa todos os profissionais que podia do primeiro time da Excelsior, da Tupi, da TV Rio... E conseguiu, para desequilibrar a audiência, trazer para seu time os melhores programas, com grande audiência, que existiam na televisão da época. Ela foi subindo aos poucos.
Imagine que era um anão e dois homens de estatura média com perna-de-pau. O anão foi lá e conseguiu tirar uma perna de pau de cada um dos homens. Com uma perna de pau cada um, não conseguiram andar direito, enquanto o anãozinho dava grandes passos a frente.
Foi isso que a Globo fez e a Excelsior, que era um desses homens, foi surpreendida por mais um homem: A Record. Só que esse homem também não tinha as duas pernas-de-pau, então caiu. E aíficaram os dois homens (Record e Tupi) brigando entre si, disputando a perna de pau que restou da Excelsior. É como o irmão mais velho que come o doce dos irmãozinhos enquanto eles brigam ou como na época dos bárbaros, quando enquanto os romanos iam tomando conta do mundo, os bárbaros se davam mal brigando entre si e não percebendo o crescimento daquele império. O Império Romano é a Globo.


OO: Ainda hoje?
EF: Temos, como já tivemos, alguns "mulçumanos" que resolvem ir além do limite de vez em quando, como o SBT, a Record e, no passado, a Manchete. De vez em quando elas incomodam.


OO: E a Band? Um dia crescerá?
EF: Lá vai resposta com pergunta. E a Globo? Um dia cairá?
Em televisão tudo é possível. Televisão é um meio cheio de fases. A Band teve uma oportunidade muito grande para crescer no início da década de 1980, mas por razões até comerciais, ela teve que dar uma brecada. Mas chegou a assustar.
Tinha Flávio Cavalcanti, Hebe, novelas como "Os Imigrantes", jornalismo (a marca da Bandeirantes), Jota Silvestre, entre outros. Até "A Praça" eles tiveram.


OO: Qual foi a oportunidade e quais razões levaram ao não aproveitamento??
EF: Mudança de estratégia e uma crise séria na emissora. Funcionários quiseram até tirar a Band do ar. Há quem diga também que Walter Clark saiu da Globo para detonar a Band que estava em crescimento e depois saiu de sua direção. Mas história é o que não falta. A parte comercial, sem dúvida nenhuma, foi um problema que brecou todo esse processo. Nessa época também ela enfrentou o crescimento das novas redes que surgiram da Tupi, que se quebrou em duas: SBT e Manchete.


OO: Com a chegada de novos meios de comunicação, a tendência de convergência de mídias é cada vez mais forte. Essa convergência pode alterar os alicerces da televisão, fazendo ela se voltar para um outro público, que não está parado assistindo-a?
EF: Isso já está acontecendo. Caminhamos para duas coisas: a segmentação e a democratização da TV. Se tudo se misturar, não vai ter como uma emissora ficar hegemônica sempre. Caminhamos para a multiplicidade de canais.


OO: Então, a perspectiva pro futuro é boa?
EF: É uma ótima pergunta. Só quando chegar que poderemos dizer se sim ou não. O que mais preocupa é o lado comercial que afeta o mercado de trabalho e, afetando-o, atinge a programação. Isso não quer dizer que não haverá uma expansão no mercado de trabalho, mas os patrocinadores e os veículos terão que se adequar ao novo formato. A facilidade de que nessa proliferação muitos canais cheguem à falência é grande.


OO: Em 1950 o sonho de Assis Chateaubriand se realizava e nosso país ganhava um de seus maiores referencias. Com o que podemos sonhar?
EF: Com tudo. A tecnologia ainda vai nos surpreender. Quanto mais achamos que o que era pra ser inventado já foi, algo nos impressiona.


OO: Você aponta algo no futuro da TV?
EF: A segmentação e o regionalismo.

OO: Isso não vai contra o conceito de globalização?
EF: A televisão perdeu isso. E os telespectadores agora querem cada vez mais se ver na TV, ter notícias do que acontece na sua região. Não vai de encontro ao conceito da globalização, apenas soma. A televisão chegou num ponto que passou a falar do mundo e esqueceu do regional. A Globo percebeu isso depois que priorizou tanto o jornalismo em rede e esqueceu do regional. Foi aí que nasceram os Praça TV.
E agora uma das maiores lutas das emissoras regionais é justamente aumentar o espaço das atrações regionais nas redes, porque isso aumenta o mercado de trabalho regional e a audiência local também.


OO: Então o caminho é...
EF: O caminho da televisão é uma estrada com muitos caminhos, mas cheia de casas em cada um deles.


Entrevista: Gustavo Jreige
Fotos: Acervo Pró-TV



Post originalmente publicado em 14 de outubro de 2005.
Publicado por Gustavo Jreige em 23:52,


Notícia sobre telejornalismo do dia
Pois é, dá pra virar coluna.
A novidade de hoje é trazida por Daniel Castro, na Folha:

Globo corta os três comentaristas do 'JN'

Acabou a opinião no "Jornal Nacional". A Globo decidiu que Franklin Martins, Arnaldo Jabor e o cartunista Chico Caruso não são mais comentaristas fixos do "JN". Martins, que opinava sobre política todas as quintas, não aparece no "JN" desde a primeira quinzena de janeiro. Jabor (toda sexta) também já encerrou sua participação. E Caruso, que diariamente desenhava uma charge, deixou o "JN" no final de dezembro. Franklin Martins continua no "Jornal Hoje" e, assim com Jabor, no "Jornal da Globo". Caruso terá um quadro no "Fantástico". A Globo diz que os três poderão voltar ao "JN" em "momentos especiais". Assim o telejornal mantém-se "eminentemente informativo", afirma. O "JN" raramente publica editoriais, exceto quando a Globo é "objeto de críticas relevantes" ou quando as "liberdades constitucionais estão em risco". A Globo afirma que a medida não tem a ver com o crescimento da Record (o que obrigou o "JN" a investir mais em noticiário popular) nem com o fato de 2006 ser ano de eleições presidenciais. Para a Globo, o formato do "JN" impedia que o público "tivesse a exata noção de que a opinião expressa" por Martins, Jabor e Caruso "era deles, e não da Globo". Isso não ocorre nos outros jornais, diz a rede, porque neles o comentarista tem um tempo maior e conversa com os âncoras. Fazer isso no "JN" "descaracterizaria" o principal telejornal do país.


Pois é, lá vou eu refazer todos os comentários que eu tinha preparado sobre o JN pro OutrOs OlhOs Podcast. Tá muito difícil mesmo produzir o pod, porque todo dia alguma coisa muda.
E pensar que me disseram pra lançar de sábado, porque nada acontecia com os telejornais... Agora acontece, todos os dias.
Se ainda fossem notícias boas, de mudanças positivas... Mas não gostei da maioria das coisas que estão acontecendo.
Comento melhor no Podcast, quando eu conseguir colocar no ar.

PS: Já votou no seu telejornal preferido?

Publicado por Gustavo Jreige em 05:44,


Jogo da Sedução
A Band, que vai de mal a pior, tem uma novidade para um dos únicos programas que ainda dá certa audiência, o "A Noite é uma Criança": A estréia do Jogo da Sedução.
É um reality show que irá ao ar dentro do programa de Otávio Mesquita, patrocinado e criado pela revista Sexy e com conteúdo online pelo UOL, que deixará na mesma casa seis belas modelos com pouca roupa e seis homens inscritos pelo site. O objetivo é escolher a mulher mais sedutora, e cada homem será treinador de uma delas para atingir tal título. O que vencer leva R$100 mil.
Não tenho dúvidas que fará sucesso (para os padrões da Band), já que esse é bem o perfil do telespectador do programa, que vai ao ar de segunda à sábado, no começo da madrugada. Mulher gostosa semi-nua tentando seduzir... Tem como não dar audiência?
O programa vira e mexe fica na vice-liderança aos sábados, até porque aposta muito nesse tipo de conteúdo. Fora que pega a audiência que espera pelos pornôs do "Cine Band Privé". Imagine agora?
Atração apelativa e vulgar, do jeito que o brasileiro gosta.
À partir de abril, na Band.

Publicado por Gustavo Jreige em 00:11,


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Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006


Telejornalismo
Nunca o tejornalismo brasileiro esteve tão em notícia como agora. Todos os dias tem nota nova em colunas e sites sobre televisão.
Carlos Nascimento troca a Band pelo SBT; Record cria clone do JN; Record lança Jornal 24 Horas; Brasil Urgente passa por reformulação; Jornal Nacional passa a ter estilo mais popular para segurar a audiência; Jornal da Noite muda de cenário e estilo; Hermano Herning resolve tirar férias após saber que será substituido no Jornal do SBT; Tudo a Ver pode acabar...
A novidade de hoje é que a Mônica Waldvogel voltará ao telejornalismo diário, apresentando de São Paulo o "Jornal das Dez", da GloboNews.

São tantas notícias que quase esquecemos que telejornais devem informar, e não ser informação.
O que eu acho de tudo isso? Você saberá no primeiro OutrOs OlhOs Podcast.

PS: Já votou no seu telejornal preferido?

Publicado por Gustavo Jreige em 10:07,


Assassinato
Dois estudantes discutem durante uma cervejada com o pessoal da faculdade. Eles moram juntos em uma república e cursam o mesmo curso universitário. No dia seguinte a briga, um deles vai até a rádio da faculdade, onde o outro estagiava, e, após minutos de conversa, esfaqueia o colega. O crime foi hoje, o curso é o de Jornalismo e a faculdade é a USP.
Rafael Azevedo Fortes Alves, de 21 anos, foi esfaqueado hoje de manhã na Rádio USP. Ele, assim como o acusado de assassina-lo, cursava o segundo ano de jornalismo noturno na ECA, USP. História dramática, lamentável.
O acusado, Fábio Le Senechal Nanni, também de 21 anos, não era nenhum delinqüente e chegou até, em 2003, a ser considerado rachador pelo Estadão, em matéria sobre vestibular*. Na ocasião, com 19 anos, Fábio sonhava em cursar Jornalismo na USP e se dedicava muito para passar no vestibular, estudando mais de 12 horas por dia. E agora pode ser expulso.
Não cabe aqui entrar nos porquês da questão, nem julgar, mas é assustador acompanhar tudo isso de perto. Proximidade relativa, mas maior do que desejamos.
Primeiro por causa da rede, Fábio possui Orkut e tem mais de 7500 scraps lá, a maioria o xingando pelo crime, inclusive com argumentos racistas (Seu preto fedorento, diz uma das mensagens). Ele já está preso, certamente não lerá nada disso, mas imagine o que os amigos estão passando?
As comunidades da ECA-USP no mesmo site não falam ainda sobre e, quando alguém tenta falar, aparece alguém acusando de sensacionalismo e dizendo que ali não deve ser palco de julgamentos e de busca de detalhes por gente que não tem nada a ver com os envolvidos. Não deve mesmo, a web nos dá a falsa impressão de que podemos nos meter em tudo, principalmente por explicitar as relações. Dá medo te ver ligado ao assassino, com apenas 3 pessoas no meio.
A segunda coisa que me assusta é o de que ele se dedicava muito aos estudos, até excessivamente, situação bem conhecida por vestibulandos, como eu. Conheço gente assim, que vive mais dos números e dos livros do que da vida real e que, em qualquer situação de estresse, parte para a violência. Além disso, presto Fuvest esse ano e, mesmo que as possibilidades sejam pra lá de remotas (enquanto uns estudam demais...), pode ser que ano que vem eu curse o mesmo Jornalismo na mesma USP.
Toda essa distante proximidade nos faz lembrar o óbvio: que a violência está em todo lugar e que nem todo assassino é ruim de berço ou usa capuz. Algum amigo seu, de uma hora pra outra, pode se transformar em alguém desconhecido e cometer um crime. Todo cuidado é pouco.
Que justiça seja feita, que só a Justiça julgue e condene quem tiver que ser condenado. Permanecemos aqui, olhando com cuidado e sonhando com um utópico mundo de paz.

* Matéria encontrada pela Rosana Hermann, do blog Querido Leitor


Texto originalmente publicado em 14 de outubro de 2005.

***
Não passei na Fuvest e hoje curso jornalismo na Cásper Líbero. O Orkut do assassino foi desativado e Rafael Fortes ganhou um site em sua memória. O caso saiu da mídia, mas tudo leva a crer que Fábio Le Senechal Nanni continua preso.

Publicado por Gustavo Jreige em 09:30,


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Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006


Novo IDG Now!
Um dos melhores sites de tecnologia do país, o IDG Now! lançará uma nova versão de seu projeto visual. Além do bom conteúdo de sempre, o site terá agora um template mais agradável e menos frio. Até a logomarca muda.
Eu gostei, só temo que tenha muita informação na mesma página e isso acaba confundindo o leitor.
Veja o Beta e veja como o site ficará.

Publicado por Gustavo Jreige em 23:13,


Hora de pensar
A gente costuma julgar muito as pessoas famosas. Mas que saco, deixem elas em paz!
Antes de falar ou criticar alguém, analise os fatos. Tudo bem que em alguns casos é quase impossível não falar nada, a aparência parece ser fato concreto, mas nem sempre é.
Assim como na vida, na imprensa isso é muito comum. A gente olha uma notícia sobre alguma personalidade e na mesma hora tece algum comentário, quase sempre maldoso. Às vezes o comentário já vem na própria nota, como se quem a escreveu tivesse direito de julgar. Quem tem?
Pra catalogar exemplos, bastava pegar o banco de dados de qualquer site de fofocas. Teríamos muitos, muitos exemplos, do jeito que quiséssemos. Se tentarmos nos lembrar também conseguiremos muita coisa. Quer ver? Vamos lembrar de alguns fatos notórios recentes.
Comecemos pelo namoro de Angélica e Luciano Huck. A mídia começou a noticiar o então possível namoro dos dois durante a fase de lançamento do filme Um Show de Verão, protagonizado pelo casal. Obviamente, pensamos ser apenas uma jogada de marketing.
Mais de um ano e o fracasso do filme depois, o casal está casado e já tem seu primeiro filho, o pequeno Joaquim. Vivem felizes e ainda trocam juras de amor.
Falando em casamento, vamos ao do Príncipe Charles e Camilla Parker: Ela sempre foi vista como a bruxa, a vilã da historia, a plebéia interesseira. Ele, um príncipe que a vida inteira teve que ficar na sombra de sua então esposa Diana, sendo criado e esperando por algo que nunca será dele, o trono de Gales. O casal viveu 30 anos de amor escondido e depois de muitos anos da morte de sua esposa (que também tinha amantes, segundo consta), resolvem se casar. O mundo então se revolta, é contra o casamento. Mas, pensa bem, qual o problema em um casal, que se ama há tanto tempo, casar e realizar o sonho de poderem ser chamados de marido e mulher, sem nada ter a esconder? Será que esse príncipe, em nenhum momento, pode ter sua vontade decidindo sua própria vida?
De um caso de amor longo, vamos a um meteórico, o de Ronaldo e Daniella Cicarelli. Eles se conheceram namoraram casaram (de um modo hollywoodiano) engravidaram abortaram naturalmente separaram. Assim, sem pausa, sem chance de pensar bem no que fazer. Do mesmo modo as agências de publicidade não pensaram duas vezes antes de contratar o casal pra campanhas, enquanto tudo era flores. Agora, Daniella ta na geladeira e, para todos, tem a imagem de bruxa. Será que estamos pensando certo agora?
Falando em milionário e contrato de milhões, vamos à vida de outra pessoa muito rica, mas que pode estar falindo, o ídolo pop Michael Jackson. Pelo amor de Deus, não leve em consideração o fato de eu coloca-lo logo após os casais, não estou insinuando nada, não pense mal! Mas Michael foi acusado e absolvido de pedofilia. Todos pensamos que ele era ou ainda achamos que é culpado. Pode ser. Logo cedo famoso, Michael passou por problemas de saúde, batalhou e fez sucesso, ganhando milhões. Mas pense, ele não teve infância e hoje tenta se atar a tudo que lhe remeta a seu passado ou ao passado idealizado que ele tem. Ele quer comprar a infância. Assim, tem sua Terra do Nunca e gosta de ficar (no sentido infantil da palavra) com crianças, de mentalidade igual à sua. Tenho dó, você não? Não o declaro inocente, não me cabe isso. Só pense... As aparências enganam e verdade não é absoluta, nada referente à gente é.
Casos não faltam, esses são só alguns famosos deles. Isso acontece aos montes todos os dias e cometemos, com a mesma freqüência, os mesmos erros.
Só se pode dar alguma sentença depois de julgado, depois de todas as provas serem apresentadas, todos os lados ouvidos, toda a verdade do caso conhecida a fundo.
Pensar quase nunca é demais e, nesse caso, até falta. Se tomarmos mais cuidado com o que falamos, evitaremos decisões e opiniões precipitadas e nos conheceremos muito mais a fundo. Isso se chama respeito. Isto gera respeito.
Pense nisso.

Por Cauã Bernardes
(colunista do blog)

Texto originalmente publicado em 21 de junho de 2005.


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Em breve Cauã e outros colunistas voltarão ao blog! ;-)

Publicado por Gustavo Jreige em 21:32,


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Domingo, Fevereiro 12, 2006


Emprego + Show do U2
A organização do Show do U2 em São Paulo está com 330 vagas para trabalhar como Controlador de Acesso no Show do U2 nos dias 20 e 21 de fevereiro.
Pra quem não sabe, o Controlador de Acesso é aquela pessoa que confere se o ingresso está certo.
É uma oportunidade para quem tá precisando de uma graninha extra, mas já aviso que não pagam muito não.
Qualquer um pode se candidatar, desde que possa trabalhar das 12h00 às 22h00 nos dias dos shows e que tenha entre 21 e 40 anos de idade. É só comparecer para entrevista no endereço do Grupo LeT: Rua James Watt, nº 84, 2º andar, Novo Brooklin, travessa da Engenheiro Luis Carlos Berrinie, São Paulo, levando cópias do CPF, RG e comprovante de residência e a carteira profissional. Até dia 14/02, das 9h30 às 17h00.

Publicado por Gustavo Jreige em 17:20,


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Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006


OutrOs OlhOs Pergunta
Continuando a série de posts com votações, agora sou eu que peço seu voto. Mas não tô concorrendo a nada não, é pra uma pesquisa que estou fazendo. Eu preciso saber...

Qual seu Telejornal preferido?

Só estão na lista os telejornais nacionais das 5 principais redes de TV do país e você pode votar uma vez por dia. A votação termina dia 15/02.
Claro, os votos são confidenciais, a pesquisa não tem valor científico e se refere apenas a opinião dos leitores do blog.
Pra quê? Você descobre no dia 17.

Por favor, vote!

Publicado por Gustavo Jreige em 00:09,


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Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006


Premiação
O Portal Imprensa promove o "Troféu Mulher Imprensa 2006", elegendo as melhores jornalistas do país em diversas categorias.
Uma delas se refere a blog: Qual é a melhor jornalista blogueira do nosso país?
As indicadas, nessa segunda fase, são Fernanda Levy , do Parisiando; Joyce Pascowitch, do Glamurama; Rosana Hermann, do Querido Leitor; Tereza Cruvinel, do Globo Online; e Clarissa Passos, Flávia Pegorin e Viviana Agostinho, as Garotas que Dizem Ni.
Disputa difícil, com alguns nomes de peso da blogosfera. A exceção fica por conta de Fernanda Levy, que não é tão conhecida, mas que mesmo assim tem uma votação expressiva, ficando na segunda colocação, após vários dias liderando, um fato bem estranho e inesperado.
Uma ausência notável é a de Cora Rónai, com o delicioso e clássico InternETC.
A votação termina amanhã e eu, claro, votei na minha amiga Rosana Hermann - que agora lidera -, embora também seja leitor e adore as Garotas Que Dizem Ni.

A Rosana, aliás, está em campanha e pede seu voto. Se você, assim como eu, adora um dos endereços mais notáveis do Mundo Blog, vote.
Eu e ela agradecemos.

Qual é sua jornalista blogueira preferida?

Publicado por Gustavo Jreige em 15:47,


Resultados do Grammy
U2 foi o maior premiado da noite, com 5 prêmios: Disco do Ano, Canção do Ano, Grupo de Rock com vocal, Melhor Canção de Rock, Melhor Disco de Rock.
Mariah Carey, a principal estrela dessa edição, não levou nenhum dos prêmios principais. Já Kelly Clarkson surpreendeu e levou dois prêmios: Melhor Cantora Pop e Melhor Disco de Pop com Vocal.
Stevie Wonder foi o Melhor Cantor Pop.
Maroon 5, uma das minhas bandas preferidas, que ano passado levou o Grammy de Artista Revelação, ganhou agora o de Grupo Pop com Vocal, se consolidando.
John Legend foi a Revelação do Ano e também o Melhor Cantor de R&B, mas não mostrou ter muita humildade.
"Boulevard Of Broken Dreams", do Green Day, foi a Gravação do Ano. Gilberto Gil foi o único brasileiro a levar uma estatueta, como Melhor Disco de World Music, por Eletracústico, onde era o favorito.
O Melhor Disco Country foi "Lonely Runs Both Ways", de Alison Krauss & Union Station, e o Melhor Disco de Rap foi "Late Registration", de Kanye West. Jay-Z e Linkin Park levaram o prêmio de Melhor Colaboração de Rap e Cantor, pela colagem "Numb/Encore".
The Chemical Brothers ficaram com os dois principais prêmios de Dance: Melhor Gravação, por "Galvanize", e Melhor Disco.

Você vê todos os vencedores clicando aqui.

Os números musicais não foram tão cansativos e a cerimônia não deu tanto sono quanto a do Oscar. Foi uma festa bem bacana e a transmissão do SBT foi até que boa. Os tradutores não eram lá essas coisas, mas ainda assim foi melhor do que assistir em inglês no Sony. Adriane Galisteu estava um pouco insegura, porém carismática, e não prejudicou em nada a transmissão. João Marcello Bôscoli continua ótimo.
Gostei.

PS: A cerimônia acabou às 02h30, e não é que o Jornal do SBT entrou ao vivo? Quanta mudança!

Publicado por Gustavo Jreige em 02:58,


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Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006


Grammy
Começou a transmissão do 48º Grammy Awards, o maior prêmio musical do mundo, pela TV. Já teve show da Madonna com o Gorillaz e também de Coldplay e o prêmio de melhor cantora Pop, para Kelly Clarkson, vencedora do primeiro American Idol, pelo hit "Since U Been Gone". Kelly voltou às rádios brasileiras recentemente por causa de "Breakaway", tema romântico de um dos casais do BBB6.

No total, são 108 prêmios para a indústria fonográfica. Fora os prêmios televisionados, já foram entregues outros Grammys, inclusive o de World Music, que premiou nosso Gilberto Gil, que era mesmo o principal candidato.

A cerimônia com as 11 principais categorias está no ar, ao vivo, no Sony, sem legendas, e no SBT, com tradução silmutânea e apresentação de Adriane Galisteu e João Marcello Bôscoli. Imperdível.


Update (00h33): Kelly Clarkson acaba de levar mais um Grammy, o de Melhor Disco Pop com Vocal, com o álbum "Breakaway", desbancando nomes como Paul McCartney e Gwen Stefani. Lembrando que, na outra categoria, ela já tinha vencido a Gwen Stefani e também Mariah Carey. Zebra total. Mas, como Bôscoli está tentando explicar - embora ainda esteja chocado - no SBT, a máquina funciona: O "American Idol" tenta encontrar e produzir um ídolo pop, com todas as características necessárias. Conseguiu. Os dois maiores prêmios de pop que ela poderia conseguir já estão em suas mãos, além de ter se apresentado ao vivo. Que bom, sangue novo e de boa qualidade. Eu gosto da maioria das músicas do CD, pop puro. Definitivamente, uma American Idol.

Publicado por Gustavo Jreige em 23:28,


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Terça-feira, Fevereiro 07, 2006


Puberdade política
ou A ausência de um novo país

Rio de Janeiro, 1968. A União Nacional dos Estudantes, a UNE, posta na ilegalidade pelo regime militar, promove a Passeata dos Cem Mil. O governo era de Costa e Silva e os anos, de chumbo. A situação era grave no país, a ditadura mostrava sua cruel face e os jovens estudantes clamavam por mais verbas para as universidades, pelo ensino gratuito, contra a tentativa de transformação das universidades em fundações e em protesto contra a prisão dos líderes estudantis.
Faziam a maior oposição que o regime tinha e, por diversas vezes, enfrentavam terríveis batalhas para tornar menos distante o aparentemente utópico, mas ideologicamente real, desejo de liberdade e justiça. Gritavam, brigavam, morriam pelo país. Seus congressos foram proibidos, sua existência foi ilegitimada, mas o sangue jovem não permitiu que ela acabasse.
Brasília, 2005. Manifestantes de entidades ligadas à Coordenação dos Movimentos Sociais, a CMS, entre elas a UNE, fazem protesto com mais de 10 mil participantes em defesa da ética na política, contra a corrupção e por mudanças nos rumos da economia. A democracia está estabelecida e o governo é presidido por uma pessoa do povo. O cenário político é de crise, o poder legislativo enfrenta denuncias contundentes de corrupção que se comprovam a cada dia. O país se indaga da responsabilidade e participação do presidente em meio a uma das mais profundas feridas políticas da história nacional. A UNE, há vários anos novamente legitimada, presta apoio ao presidente sob a acusação de receber dinheiro para isso.
Tais fatos mostram o contraste de realidades que é visto claramente na sociedade: os jovens mudaram de atitude e hoje não possuem mais a formação política de outrora, sendo muito mais maleáveis e descompromissados com os acontecimentos nacionais. Os que tanto lutaram pelo macro, vêem seus filhos reclamando pelo espaço dado às notícias políticas e de economia; aqueles que faziam um futuro melhor, assistem à nova geração preocupada apenas com seu universo pessoal, sem se importar com o presente construído.
Onde estaremos nós, os adolescentes? Por que não vamos às ruas lutar pelas nossas ideologias? Por que não temos ideologia?
Toda a luta no passado, da ditadura do Estado Novo às Diretas Já, nos gerou uma posição muito cômoda. Temos liberdade de expressão e a maior repressão que encontramos está dentro de casa.
São poucos os jovens que estão engajados politicamente e que realmente se importam com o futuro do país. Nossa cultura está estabelecida, está tudo pronto. Pra que lutar?
Talvez por fadiga, nossos pais não incluíram política em nosso cotidiano e, assim, não a temos em nossa formação. Falta, então, a base e é aí que o maior problema se situa.
Não temos a sensação de influirmos na nação, somos apenas jovens e estamos acostumados a ocupar somente esse posto. Falta a consciência de cidadania, faltam valores.
A mídia não consegue - e nem tenta - mudar isso: O noticiário apenas informa, não esclarece, gerando ainda mais desinteresse. Afinal, quem se interessa pelo que não entende?
É um conjunto de fatores que gera uma situação cruel de circuito fechado: jovens sem formação viram adultos não politizados, que geram filhos que também não terão base.
Pela UNE passaram grandes nomes da nossa política, que lá se formaram como pessoas e cidadãos. Que tipo de pessoas e políticos formaremos hoje?
Para mudar, a juventude precisa de seu próprio verdor, em todos os sentidos, da ousadia do experimentar o desconhecido até a atitude de lutar.
Precisamos lembrar que, há pouco mais de uma década, Caras Pintadas iam às ruas gritar por justiça, pedindo o impeachment do então presidente Collor. Eles tinham opinião, sabiam que, juntos, poderiam mudar o país. E mudaram.
Se o vigor e as novas idéias da juventude não existirem, formamos uma geração inútil.
A sociedade nos subestima sim, mas poucos de nós tentam mudar isso. Para falta de base, a vontade da mudança. Para os problemas do país, a consciência de ser brasileiro.
Temos que lutar com nossas armas, seja através de textos, de gritos ou comunidades virtuais. Temos que aprender que fazemos parte de um todo. Nos falta a vontade de ver toda a atmosfera que nos envolve e tentar muda-la, embora necessário seja. Infelizmente, para a maioria, isso é irrelevante e esse é só mais um longo texto que não será lido. Tempos difíceis me esperam...
Que saudades do que não vivi, que vergonha do que vivo.


Post publicado em 08 de Setembro de 2005
PS: Sim, foi esse texto que insipirou a redação que fiz no vestibular da Cásper Líbero

Publicado por Gustavo Jreige em 23:57,


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Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006


Aldemir Martins
Morreu hoje, em São Paulo, o grande artista plástico cearense Aldemir Martins. Aldemir é, sem dúvida, um dos maiores expoentes da arte pós-modernista brasileira e tem sua obra marcada pelas paisagens e elementos nordestinos e um sem-número de gatos. Mas ele não era só isso, os gatos são apenas um traço marcante de uma obra rica em cultura popular de traços e tons fortes, reconhecida por busca de interpretar o "eu brasileiro", pela sua realidade e também por sua qualidade técnica, utilizando várias formas de expressão, como pintura, desenho, gravura, cerâmica e escultura em diferentes suportes. Em suas pinturas, destacam-se ainda outros animais, frutas e flores.
Aldemir tinha 83 anos e mais de 70 de "sucesso artístico", como dizia o título de sua esposição, ano passado, no Masp.
Perdemos um grande artista, que deixa uma das mais importantes e intensas obras do último século no nosso país.

Publicado por Gustavo Jreige em 12:32,


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Sábado, Fevereiro 04, 2006


Absurdo Teen
Há algum tempo venho acompanhando de longe o sucesso da novela "Rebelde", do SBT, e de sua banda a RBD. Junto com "Floribella", da Band, eu a analisava para futuros textos sobre o poder jovem na mídia e no mercado fonográfico. Mas o sucesso dos Rebeldes mexicanos virou destaque de todos os jornais e sites agora, que os atores estão no Brasil.
Ontem desembarcaram no aeroporto de Cumbica, em Sampa, sendo esperados por cerca de 7000 pessoas. Ao mesmo tempo, cerca de 100 fãs os aguardavam no hotel e uma outra legião gritava freneticamente em frente ao prédio da TV Gazeta, na Av. Paulista, onde a banda iria, para uma apresentação na Gazeta FM. E lá ficaram por horas, com chuva e calor.
Fica tudo no mesmo prédio - o famoso Paulista 900 -, rádios, portal de internet, TV e faculdade da Fundação Cásper Líbero, além de algumas outras empresas. Pois é, eu fui ontém me matricular na Faculdade Cásper Líbero - lá! - e não consegui entrar pela entrada principal, fechada por causa dos fãs. Tive que entrar pelo lado, em meio a seguranças, e cruzar parte da escadaria do prédio, do lado de dentro dos alambrados que não permitiam a entrada dos fãs de "Rebelde", bem na frente de todos esses fãs, que me olhavam de cara feia. Entrei, e depois de horas saí, matriculado. Todos continuavam lá, gritando e esperando. E, claro, tive novamente que atravessar a escadaria na frente daquela multidão. Só eu andando do lado de dentro das grades e todos os fãs me olhando do lado de fora, uma maravilha. E não é que começaram a me vaiar? A primeira vaia da minha vida não podia ter sido mais divertida.
O pior é que eu até poderia ter visto a banda - acho que algumas pessoas que estavam se matriculando viram -, mas eu nem tinha idéia da cara ou do som deles (meu acompanhamento se dava por notícias e estatísticas) e eu não tinha a menor vontade de descobrir. Todos os guardas estressados e os funcionários da faculdade zoando um outro, que tinha pego autógrafo. Mais de 100 fãs do lado de fora, que fariam de tudo pra entrar, e eu e os outros ali, não dando a mínima. Parece que os pobres fãs ficaram até mais das 9 da noite.
Mas isso não foi nada perto da confusão de hoje.
Cerca de 5 mil pessoas aguardavam o grupo no estacionamento Shopping Fiesta, em Santo Amaro, zona sul da capital paulista, onde fariam uma manhã de autógrafos, um número bem acima do esperado pelos organizadores, a EMI e o hipermercado Extra, embora o local comportasse 10 mil pessoas. Resultado: Os alambrados não agüentaram, várias pessoas foram pisoteadas e a banda teve que ir embora após duas canções, pois caso contrário o palco seria invadido. Saldo final: 40 feridos e 3 mortos.
O SBT soltou um editorial no SBT Brasil se isentando, com razão, esclarecendo que não foi ele quem organizou o evento. Repito: foi "organizado" pela EMI e pelo hipermercado Extra.
O mais grave é que todos que viram os tumultos de ontem imaginaram que hoje haveria uma confusão bem maior. Só esses organizadores não pensaram ou tomaram uma atitude para evitar isso. Um absurdo, o cúmulo da falta de organização e responsabilidade. Vamos ver como fica agora.
A visita da banda ainda não terminou, eles ainda têm compromissos amanhã. Vão embora, sem dúvida nenhuma, bastante assustados com nosso país.
O destaque do caderno de Entretenimento virou a principal manchete das páginas e minutos Policiais, com um triste subtítulo: "Uma tragédia que poderia ser evitada".

Leia mais em blogs de fãs, como o Rebelde Brasil.

Publicado por Gustavo Jreige em 23:45,


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Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006


3 Anos
O OutrOs OlhOs completa hoje 3 anos de existência.
No começo, era um blog adolescente normal, falando da minha vida e de alguns assuntos em geral. Depois, começou a cobrir o notíciario dando opinião sobre as notícias. Num terceiro momento, passou a exibir textos, críticas e colunas.
É muito estranho pra mim acessar o histórico do blog hoje em dia, porque dá pra notar claramente o processo de amadurecimento que eu e o blog sofremos, com mudança de mentalidade, de estilo e até na qualidade dos textos. Se eu pudesse, eu apagaria 95% do que escrevi no primeiro ano e boa parte do que escrevi no segundo, só manteria integralmente esse terceiro ano de blog. Mas não posso, porque sem passado não podemos entender ou confiar no presente e, além do mais, esse é um blog de caráter. Então, chega de olhar pra trás e vamos ao futuro.
Pra hoje, eu havia programado algumas novidades, mas acabaram não dando certo por uma série de fatores (de corte momentâneo de todos os telefones da rua, me deixando sem internet, à matrícula na faculdade).
Só uma delas rolou e já tá funcionando: A partir de hoje, o OutrOs OlhOs tem domínio próprio. Portanto, atualize seu bookmark pra www.outrosolhos.com.br. Esse é um passo importante para a credibilidade e independência do blog e sinaliza a seriedade que terei com ele agora, mas continuarei postando pelo Blogger.br, por enquanto.
Uma novidade que está por vir é o OutrOs OlhOs Podcast. O tema dessa primeira edição é "Telejornal" e ainda dá tempo de participar da estréia, mandando opiniões em áudio ou texto sobre o tema para podcast@outrosolhos.com.br. Qual seu telejornal preferido e o que você menos gosta? Tem alguma sugestão para melhora-lo ou alguma reclamação para fazer sobre ele? Mail me.
O template do blog continua o mesmo, com poucas mudanças. Afinal, pra que mexer no que está dando certo?
Mas o melhor de todo e qualquer blog é o leitor. E a esses, ou melhor, a você, meu agradecimento e carinho. Muito obrigado por, há três anos, tentar ver comigo o mundo com OutrOs OlhOs. Acho que estamos conseguindo.
E, assim, com novidades e ajustes, entramos no nosso quarto ano, cheio de energia. Conto com você para fazer dele o melhor de todos.
Parabéns, OO!

Publicado por Gustavo Jreige em 22:37,


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