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por Gustavo Jreige

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Agradecimentos ao Inagaki


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Sexta-feira, Março 31, 2006


Ditadura Nunca Mais
Na noite de 30 para 31 de março, foram desencadeadas três operações simultâneas: "Silêncio" - controle do serviço de telecomunicações; "Gaiola" - prisão dos líderes extremistas no Estado, e "Popeye" - deslocamento da tropa nos eixos rodoviários Juiz de Fora - Guanabara e Belo Horizonte - Brasília. Decretada a mobilização geral, o General José Lopes Bragança, da reserva, começou o alistamento de voluntários civis, que ultrapassou a casa de 10 mil homens. Às 17 horas de 31 de março, Magalhães Pinto leu o seu Manifesto à Nação, divulgando a eclosão do movimento.
Fonte: Academia Militar das Agulhas Negras

Há 42 anos, os militares se movimentavam para derrubar o governo de João Goulart. Conseguiram. O Regime Militar foi imposto, veio a Ditadura, tanto sangue, tanta dor, tanto chumbo. Passou, ficou pra trás, mas não pode ser esquecida.
Nunca mais Silêncio, liberdade e democracia são os caminhos para a construção de uma nação.

Update: Que vergonha.

Publicado por Gustavo Jreige em 23:03,


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Quarta-feira, Março 29, 2006


Fora da Terra
As coisas mais interessantes e importantes de hoje aconteceram ou acontecerão fora do planeta Terra.
O dia começou com o Eclipse total do Sol, que tem belas imagens no Flickr, na Folha e no UOL. Aqui no Brasil, onde o eclipse começou - às 5h36 -, só deu pra vê-lo em totalidade na parte de leste do país, em especial em Natal, no Rio Grande do Norte. Parcialmente, pôde ser visto em Pernambuco, Ceará, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O próximo eclipse solar acontecerá em 2008, mas no Brasil só em 2045.
Depois do fascínio, vêm as previsões astrológicas - e não são nada boas: um astrólogo uruguaio disse que poderá acontecer um terremoto na Turquia e "um acontecimento destrutivo" no Brasil, possivelmente ligado a naufrágio, derramamento de óleo ou acidente com jazidas.

Entretanto, o evento mais importante é a histórica viagem do primeiro astronauta brasileiro ao espaço. Às 23h29, horário de Brasília, a nave Soyuz TM-8 será lançada e levará Marcos César Pontes à Estação Espacial Internacional (ISS). Uma conquista imensa pro nosso Programa Espacial Brasileiro, mesmo com toda a polêmica na comunidade científica sobre o valor da expedição e das reclamações do médico do astronauta.
De qualquer forma, vamos todos torcer e comemorar, esperando ver nossa bandeira, pela primeira vez, fora do nosso planeta.

Publicado por Gustavo Jreige em 20:21,


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Segunda-feira, Março 27, 2006


Missão: Impossível: III
Está no ar o site oficial do terceiro filme da sequencia Missão Impossível, com Tom Cruise, que tem estréia mundial marcada pro dia 5 de maio. Imperdível para os fãs de Felicity, já que a Keri Russel - a atriz que protagonizava a série - interpreta a nova assistente do agente Ethan Hunt. No site, várias fotos dela e trailers do filme, entre outros.
Além disso, o criador e diretor de Felicity, o genial J.J. Abrams - também responsável por Alias e Lost -, é quem dirige o filme, dando a garantia de boas cenas de ação, e o Greg Grunberg - o Sean de Felicity e amuleto de J.J. (participa de todos os trabalhos do diretor) - faz uma ponta.
Espera-se que esse seja o melhor Missão Impossível de todos, com um roteiro mais consistente e cenas mais elaboradas, além do fato do vilão ser o ganhador do Oscar 2006 de Melhor Ator, Philip Seymour Hoffman.
Bom elenco, boa produção, boa direção. Se não for um grande sucesso, será o mico do ano.
É torcer e conferir, na esperança de que a Keri mostre que não é atriz de um papel só e que ela, finalmente, ascenda em Hollywood.

Publicado por Gustavo Jreige em 21:44,


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Domingo, Março 26, 2006


Atriz Ariclê Perez morre aos 62 anos em São Paulo
Deus do céu.

Publicado por Gustavo Jreige em 22:58,


Perfeito
Dizem que a gente sempre se procura nas coisas e pessoas. Isso explica o sucesso do Orkut e é muito lógico: Ninguém gosta de uma pessoa com quem não concorda em nada. Nesse preceito, faço o mea culpa e me justifico: Claro, o que eu considero perfeito está de acordo com meus principios e idéias. Por isso dou tanta voz ao questionamento da mídia atual e ao pensamento da nova mídia, talvez para corroborar o que digo.
O futuro do jornalismo é agora. Mexa-se. É com esse título provocativo e imperativo que a jornalista e blogueira Bia Moraes chama para seu interessante texto sobre as novas mídias. Fala sobre os blogs, a tecnologia móvel, os telejornais nesse formato atual e tantas outras coisas importantes. Concordo em tudo com ela - e quem é leitor daqui há algum tempo há de notar isso. É bom ver um ensaio como aquele, aberto a discussão, em pleno Observatório da Imprensa (Quem observa, normalmente vê. Quem vê, usa os olhos. Alguma ligação com o nome desse blog?), ao lado de outro, mais limitado, sobre o "infotainment" e de outro, mostrando como os blogs já são um consolidado veículo de mídia nos EUA.

Leia e reflita.

Publicado por Gustavo Jreige em 00:50,


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Quinta-feira, Março 23, 2006


Ele voltou
Para os leitores que aqui lamentaram o fim do "Tudo a Ver", da Record, uma boa notícia: a revista eletrônica volta ao ar hoje (sim, em plena quinta-feira!) às 21h15, com o nome de "Jornal Tudo a Ver".
Nenhuma informação sobre a equipe e o formato foi divulgada e eu temo que o horário e esse Jornal na frente do nome digam algo. Será que a Record vai tornar a atração um telejornal comum?

É lamentável o que a Record está fazendo com seu jornalismo, que há bem pouco tempo era tão importante (Vide a Revista Imprensa de março, que deu capa pro jornalismo da emissora paulista). Gastou tanto pra montar a equipe, tirou profissionais de outras emissoras e agora deixa o Jornal da Record perdido pela programação. Era às 20h, mudou pras 21h15 e ontem, uma quarta-feira, passou a ser exibido às 19h. Por mais que a audiência da nova novela seja prioridade, não deveriam sacrificar seu principal telejornal. Jornalismo exige credibilidade e credibilidade é conquistada pela fidelidade recíproca entre público e veículo. É muito grave um telejornal mudar de horário, ainda mais desse modo.

Prova de que só dinheiro e estrutura não garantem qualidade plena. Antes de pensar no primeiro lugar, a Rede Record deveria repensar seus conceitos e atitudes e fazer um bom planejamento da grade de programação.
Se ela quiser chegar a algum lugar, conquistando uma audiência cativa e não tão pontual como essa que vem obtendo, precisa criar horários fixos e boas atrações. Só assim o telespectador criará o hábito de assisti-la.

Publicado por Gustavo Jreige em 15:23,


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Segunda-feira, Março 20, 2006


Entrevista



Nossa sociedade tem o triste costume de só enxergar o que quer. Assim, vários tipos de pessoas que não se enquadram no silencioso padrão de visibilidade passam despercebidas pelo nosso cotidiano. Por mais que tenhamos uma remota consciência de que elas existem, não nos importamos com isso. Não são vistas, não têm vozes.
As redações jornalísticas não param, não respiram. As discussões de pauta ficam em torno da matéria mais importante, do crime mais vendável, do escândalo de maior potencial. Se os jornalistas trabalham em um ritmo frenético, quem lê ou assiste a um jornal também não consegue ter calma.
Essa entrevista luta contra essas duas verdades. Certamente não há um objetivo em publica-la senão parar, deixar de lado os "porquês" e a racionalidade e se deixar tocar pela simples e verdadeira inocência de um deficiente mental.
Evandro Alves de Souza, o Dico, tem 33 anos e nasceu com anomalias genéticas - nenhuma síndrome conhecida - que resultaram na deficiência. Cresceu com o carinho da família e a luta incessante de sua mãe, Jeannette, que participou ativamente do desenvolvimento das APAEs de sua região - o Alto Tietê, na Grande São Paulo - e fundou a APAE de seu município, Poá, hoje presidida por ela.
Evandro não é bobo, sabe o que acontece e tem conhecimento de seus problemas. É uma mistura de criança e adulto que, com uma cativante simpatia e um doce olhar - esperançoso e triste -, surpreende a qualquer um. Não tem vergonha de ser o que é, não nota a cruel diferença, com teor pejorativo, que a sociedade coloca entre nós e ele. Várias diferenças, de fato, existem, mas será que ele é mesmo inferior a nós? Quem é mais normal, aquele que possui inúmeras limitações, mas enxerga a todos, ou quem possui um bom emprego e mal olha para os lados?
Não procure uma informação, um propósito. Ele existe, mas mostra-se naturalmente. Dispa-se de suas opiniões, formações e preconceitos. Veja-o. Ele existe. E te ama.



Gustavo: Você já tem mais de trinta anos e ainda estuda. Você gostaria de parar de estudar?
Evandro: Eu gosto de estudar, mas alguns problemas com outros alunos me fazem ter vontade de largar os estudos.

G: Você estuda hoje na APAE Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais -, mas já estudou em Classe Especial de escolas de ensino fundamental, com várias crianças diferentes de você. Qual das duas você prefere?
E: Gostava do Batuíra [a escola estadual em que ele estudou], porque não tinha esses alunos da APAE que me irritam. Mesmo assim, eu gosto da APAE, porque as professoras são legais e eu até escrevo algumas coisas, faço o cabeçalho. Não tenho preferência, gosto das duas.

G: No Batuíra, você tinha vergonha de conviver com crianças tão mais novas e diferentes que você?
E: Não tinha não.

G: Se você pudesse seguir uma profissão, qual seria?
E: Eu seria maquinista, porque adoro trens e gosto de ver o maquinista trabalhando, puxando aquele negócio pra fazer o trem andar.

G: Você tem algum sonho?
E: Tenho alguns, como conhecer a Mariane, que era apresentadora do SBT, e o Silvio Santos. Já tentei vê-lo, mas os seguranças não deixaram.
Sem ser da TV, eu sonho em ter uma casa própria, para viver com uma menina.

G: Então você quer casar?
E: Sim, quero.

G: Você tem vergonha de alguma coisa?
E: Não gosto da minha voz, pois ela sai muito grave, mas não tenho vergonha dela. Na verdade, não tenho vergonha de nada!

G: Você sente falta de algo na sua vida?
E: Sinto muita falta do meu avô [falecido em 2004]. Além disso, queria que minha sobrinha [Francieli, 2 anos; filha de sua irmã] ficasse me olhando mais, me desse mais atenção. Ela diz que não gosta de mim, mas no fundo sei que gosta, ao menos um pouco. Só queria que ela fosse mais atenciosa comigo, sinto falta disso.

G: Tem alguma coisa na sua vida que você gostaria de mudar?
E: Queria ser um rapaz bonito! Não que eu me ache feio, mas queria ser bem bonito, para as meninas me notarem. O que me falta, na verdade, é uma namorada!

G: Você disse que sente falta da atenção da sua sobrinha. Sente falta da atenção de alguma outra pessoa?
E: Sinto sim, do meu irmão Odair, que só grita comigo. Ele não tem paciência, qualquer coisa grita. Isso me deixa triste.

G: Você tem algum medo?
E: Morro de medo de polícia, sempre tenho a impressão de que eles me prenderão. Mesmo sem a gente fazer nada, eles passam olhando pra nossa cara... Além disso, tenho medo que meus pais faleçam, me deixaria muito triste.

G: O que aconteceria com você caso eles morressem?
E: Iria morar com a minha irmã Simone e seu marido Charles [pais de Francieli].

G: O que te deixa mais triste na vida?
E: Fico triste por não ter nenhuma menina perto de mim. Eu sinto amor, queria uma namorada, para beijar na boca, fazer carinho...

G: Você só fica triste por isso?
E: Não, fiquei triste ao ver uma reportagem, em um jornal da Record, pela manhã, com uma menina que não sai na UTI. Vê-la lá, com aparelhos, gerou um sentimento ruim, queria que ela ficasse boa.

G: Você gosta de assistir televisão? O que assiste?
E: Antes gostava do Sérgio Mallandro... Hoje, gosto de ver a Xuxa [TV Globo], o programa da Eliana [TV Record], o Hoje em Dia [TV Record], o Gugu [SBT], o Amigos do Forró [TV Gazeta], o Chat Amizade [programete publicitário exibido pela TV Gazeta] e adoro assistir a filmes pornôs.

G: Embora tenha dito que queria conhecer Silvio Santos, você não citou nenhum de seus programas. Você não gosta de vê-lo na TV?
E: Gosto sim, apenas esqueci de falar.

G: A Campanha da Fraternidade desse ano tem como tema os deficientes. A APAE apóia essa campanha e você tem até uma camiseta dela, mas, afinal, o que é ser deficiente? Você apóia a campanha?
E: Deficientes são aquelas pessoas que não podem enxergar, não podem fazer tudo. Apóio sim a campanha, porque sou contra discriminarem nós.

G: Nós? Então você se considera um deficiente?
E: Considero, porque me chamam de bobo.

G: Quem te chama assim?
E: Um outro aluno da APAE. Tem outro ainda que chuta minha rodoviária!

G: Rodoviária?
E: É, meu bumbum! (risos)

G: Mas só por causa deles você se considera deficiente?
E: Não, tem diversos fatores. Quem é diferente não aceita ser deficiente. Eu aceito.

G: Se você pudesse escolher, seria deficiente? O que mudaria caso você não fosse?
E: Não seria deficiente não, porque assim poderia conseguir alguma coisa fora do meu alcance atual, como arrumar uma garota, fazer alguma coisa, trabalhar.

G: Você assiste a telejornais? Que notícia você gostaria de ver, que te deixaria muito feliz?
E: Assisto sim. Jornal Nacional, Jornal da Gazeta... Gostaria que dessem a notícia sobre a Copa do Mundo, que o Romário tivesse ganhado e o Brasil fosse campeão.

G: Você gosta de futebol?
E: Não torço pra nenhum time, só pro Brasil mesmo.

G: Além da menina internada que vou citou, a gente recebe muita notícia triste pelos telejornais, entre elas vários problemas sociais. O que você gostaria que mudasse no Brasil?
E: Eu queria que o pessoal enxergasse mais. O Lula não enxerga as pessoas, só viaja, não dá atenção a nós deficientes. Gostaria que ele falasse mais conosco.

G: Você já viu alguém que seja deficiente, igual a você, na televisão? Gosta de ver?
E: Vi um menino com cadeira de rodas, no Domingo Legal, mas não gostei. Isso me choca.
Mas, mesmo assim, gostaria de conhecer pela televisão alguém parecido comigo, com o mesmo tipo de deficiência, para podermos conversar, coisa que não faço com meus amigos da APAE.

G: Sua deficiência aconteceu muito cedo. A sua mãe fundadora e atual presidenta da APAE do município - algum dia tentou esconde-la de você? Você tem algum problema em falar disso?
E: Não, sempre soube do que tinha e hoje não tenho nenhum problema em falar.

G: O que você diria caso alguém te colocasse na televisão, para falar o que quiser?
E: Pediria para o Roque [assistente de palco de Silvio Santos] não proibir minha entrada no programa. Falaria que quero ir, um dia, no Domingo Legal e que sonho em reencontrar o Atchim e o Espirro [dupla de palhaços que apresentavam programas infantis na década de 90, as grandes paixões do entrevistado].

G: Que mensagem deixaria para o Brasil?
E: Que queria mais amor, menos violência. Há violência demais hoje em dia, quero poder viver em paz, quero um mundo mais contente.

G: O que você gostaria que mudasse na relação entre as pessoas sem deficiência e as que possuem?
E: Gostaria que houvesse um espaço maior para os que usam cadeira de rodas.

G: Você sofre algum preconceito? Alguém te trata mal?
E: Preconceito eu não sofro, não. Fora meu irmão, ninguém mais me trata mal.

G: Se você soubesse que várias pessoas iriam te ouvir, o que você diria?
E: Eu amo todos vocês.


Entrevista originalmente realizada para um trabalho de faculdade

Publicado por Gustavo Jreige em 14:45,


Sobre o post abaixo
A entrevista sobre o caso sério, difícil e polêmico, claro, caiu. Em sua espera fiquei o final de semana inteiro, ocupado produzindo e buscando meios da entrevista acontecer. Sem ela, tive que procurar outro entrevistado: Do sério e difícil, passei pro doce e inocente e o resultado me deixou muito feliz (você confere no post acima).
Isso significa que não voltei na Bienal, nem escrevi nenhuma matéria pra cá, como eu queria fazer.

Tudo bem didático, pra eu ir me acostumando. Só faltou uma faixa: "Bem-vindo ao jornalismo"!

Publicado por Gustavo Jreige em 14:43,


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Quinta-feira, Março 16, 2006


Bienal
Fui hoje na Bienal novamente, especialmente para ver e entrevistar algumas pessoas e fazer matérias aqui pro blog. Não encontrei nada muito interessante, não colhi material suficiente pras reportagens, mas pretendo voltar lá no final de semana e publicar uma análise do evento como um todo.
Alguns problemas foram bem estranhos e constrangedores hoje, como a luz que se apagou durante a chuva. Eu e algumas centenas de pessoas esperavamos no Espaço Universitário pela palestra do Professor Pasquale sobre o que é certo e errado na escrita, ficamos totalmente no escuro, fazendo com que eles pedissem para evacuarmos o lugar, prometendo que, quando voltasse a luz, a palestra começaria. Os geradores só davam conta de iluminar o salão principal - com milhares de pessoas, sendo a grande maioria crianças em excursão escolar -, mas mesmo assim alguns estandes foram fechados e, claro, nada de ar condicionado. Centro de Imprensa, Salão de Idéias, Business Center... tudo no escuro! Demorou cerca de meia hora - por volta das 16h50 - até a luz voltar e as atividades começarem a ser retomadas. Com o atraso, a palestra do Pasquale foi pro limbo pra mim, já que estava perto da hora do real motivo de eu ter ido lá: o debate, no Salão de Idéias, sobre "O controle que a mídia exerce sobre a mente das pessoas", com Sidney Pike (pioneiro ex-presidente da CNN), Vicente Adorno, Sérgio Moya, Álvaro Moya e Roberto Muylaert. Foi ótimo, só não se falou do assunto proposto, já que a conversa entre amigos (foi isso, não um debate em sí) ficou focada em questões mais gerais e históricas do jornalismo. Gostei muito mais!
No final, como eu já tinha planejado, consegui fazer rápidas entrevistas com Roberto Muylaert e Vicente Adorno, que você confere no nosso primeiro podcast. Só não entrevistei o Sidney Pike por não ter um inglês tão bom assim.

Detalhes, textos de verdade e fotos, posto depois.

Na hora de ir embora, passei no Centro de Imprensa e resolvi tomar café. Nem gosto tanto de café assim, nunca tomo, mas não ia perder meu primeiro café com crachá oficial de imprensa, não é mesmo? Claro, queimei a língua!
Fase de experimentos novos, de aprendizagem e conhecimento mais prático do jornalismo. Precisava de alguma dor.

PS: A nota da Folha está errada, já que não houve atraso nenhum com o debate, que estava previsto para as 17h. No horário em que foi publicada a notícia, a luz já havia voltado (sim, eu anotei os horários)..
PS²: Amanhã entrevisto uma personagem real bem interessante para um trabalho da faculdade, mas que virará matéria pra cá. Envolve mídia, polícia, mortes, justiça, tortura e magia negra. Caso sério, difícil e polêmico, como a gente gosta.

Publicado por Gustavo Jreige em 23:34,


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Terça-feira, Março 14, 2006


"A midia se tornará fast food e será consumida em movimento"
Via BlueBus, a frase de Rupert Murdoch, que alerta para o uso sob demanda da mídia.
Como eu queria que a minha faculdade - a mais tradicional em jornalismo da América Latina e uma das mais importantes do país- fosse preparada e nos preparasse para as revoluções que o jornalismo está sofrendo e têm pela frente.
Até agora, o jornalismo que vi por lá é aquele antigo, tradicional; pouco se fala do que eu chamo de wikimídia (não falo somente da Fundação Wikimedia, mas do conceito), ou seja, da mídia feita por todos, ou por qualquer um, e assim, do público tendo um controle maior sobre o que consome de informação (quase apresentei projeto para iniciação científica no tema, mas achei muito cedo). Mas o que mais me assusta é a visão dos alunos, a maioria deles tendo lá os primeiros contatos com a profissão: 80% é preconceituosa e parece desprezar - ou não entender, vai saber - os novos veículos e essa revolução da wikimídia. Acham que ela vem pra banalizar e desvirtuar a profissão, enquanto eu acredito que venha pra aumentar a qualidade. Em breve explico - e mostro - isso melhor aqui.

Exatamente por isso, por achar que o jornalismo tal como conhecemos hoje não é tudo que deveria ser ensinado em uma insituição de ensino, não dando as reais novas bases do jornalismo, fico em dúvida se o diploma universitário é tão necessário para exercer a profissão.

Se está demorando para a mídia perceber as mudanças que ela mesma vem sofrendo, imagine as faculdades. Enquanto não mudar a mentalidade de todo o mercado, equanto não virem as tendências que se consolidam e confirmam a cada dia, os veículos ficarão para trás e os cursos, obsoletos.

Publicado por Gustavo Jreige em 22:51,


Metalinguagem
Estamos em um período de publicidade própria e conjunta na televisão. Assim, a TV Paga veicula anúncios chamando atenção do mercado publicitário para seu potencial, mostrando cenas e logomarcas de diversos canais.
A TV Aberta por sua vez faz a propaganda institucional da própria TV Aberta, num conjunto com todas as grandes redes (até a Globo) defendendo a gratuidade do veículo. O foco é outro: Não busca mais anunciantes e sim conscientizar a opinião pública de sua importância e sentido no país, pensando na disputa pela TV Digital - que está cada dia mais enrolada e complicada.
É justo que o veículo use seu próprio espaço para seus interesses, mas mesmo assim é estranho.
Assim como é estranha a nova campanha da Globo passando idéia de que "só se vê na Globo" atrações como um jornalismo forte e independente (?!). Embora seja até comum, parece que está se defendendo. Também tem propaganda pra entretenimento, utilizando a mesma linguagem estranha (narrador e spot) e anunciando os novos programas, como o da Angélica e da Regina Casé.

Quando não se consegue chamar atenção por conta própria, resta anunciar. É bastante funcional e prático: ao invés de ter um verdadeiro conteúdo de qualidade e potencial, seja ele de audiência qualificada ou democrática e livre, convence-se que ele existe, afinal, televisão sempre foi ilusão mesmo. Quando se tem, a propaganda serve de cartão de visitas.

PS: A propósito, pra quem estranha a falta de comentários sobre a novela da TV Digital no Brasil no blog, aviso que em breve o assunto será abordado com maior profundidade por aqui.

Publicado por Gustavo Jreige em 22:16,


PSDB define seu candidato à presidência
O governador Geraldo Alckmin foi escolhido o representante do partido tucano nas eleições presidenciais desse ano. A disputa era entre ele e José Serra (prefeito da cidade de São Paulo), que desistiu da pré-candidatura para acabar com a confusão dentro do partido, que já durava meses.
Acho que essa foi a melhor decisão tomada, já que esse é mesmo o último ano de Alckmin a frente do governo paulista. Serra tem ainda dois anos na prefeitura e largar o mandato pela metade, deixando-o comandado por aquele que foi o maior argumento da oposição contra ele nas eleições, seria um desrespeito com o eleitor e, sem dúvida, arranharia sua imagem.
Não sou PSDBista, mas não votaria em nenhum outro partido nessas eleições - a primeira em que votarei obrigatóriamente -, por não acreditar em nenhuma outra instituição partidária forte ou personalidade política em si. Gosto de Alckmin e Serra e tenho particular confiança no primeiro, até por estar satisfeito com sua administração no meu estado.
Agora resta saber quem será o candidato tucano a governador. Qualquer opção de outro partido é extremamente reprovável: Deus me livre, Marta como governadora ou até pior, Maluf!
E você, em quem vota?

PS: Muito engraçado ver os covers políticos do Pânico (Lula, Enéas e Roberto Jefferson) atrás do repórter da Globo, ao vivo, na famosa filinha, durante o Globo Notícia. Vida de repórter não é fácil...

Publicado por Gustavo Jreige em 21:57,


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Segunda-feira, Março 13, 2006


Tudo a Ver é cancelado
Saiu hoje do ar o programa "Tudo a ver", da Record, que misturava entretenimento com jornalismo. O projeto era idealizado por Paulo Henrique Amorim, que deixou a atração quando assumiu o "Domingo Espetacular". Desde lá o telejornal vinha definhando e o fim já era esperado.
Uma pena, pois, com o Paulo Henrique, tinha a medida certa de como um noticiário pode ser leve, agradável e possuir entrenimento e serviços, dando boa audiência.
Hoje estréia a primeira novela das 8 do canal, "Cidadão Brasileiro" e o horário do "Jornal da Record" permanece incógnito; o fim do jornalístico vespertino pode estar relacionado com essas mudanças na grade. No horário, em breve, a Record deverá lançar a sua versão de Malhação, chamada "E aí?".

No OutrOs OlhOs Pergunta, o "Tudo a Ver" foi apontado por 7,3% dos votantes como o melhor telejornal brasileiro em rede nacional aberta. A enquete será atualizada.

***
Além de "Cidadão Brasileiro", estréia hoje "Sinha Moça", na Globo, e Mônica Waldvogel assume o "Jornal das 10", na Globonews.

Publicado por Gustavo Jreige em 18:10,


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Domingo, Março 12, 2006


Clonagem de programas toma conta da TV brasileira
Para se escrever sobre qualquer coisa é preciso mais do que boa vontade e sensações genéricas. Sabe quando todo mundo fala uma coisa e você também quer dizer? Pois é isso que acontece nessa nota, escrita sem que o autor tivesse muito conhecimento do que falava.
Além de que, em nenhum momento, o texto cita a "inspiração" internacional que toda nossa televisão possui. Nenhuma dessas fórmulas é original, mas o texto não se importou com isso.

Dizer que "No Coração do Brasil" (Band) é uma cópia do "Globo Repórter" por tratar de temas relacionados a natureza, é forçar demais. Se é assim, o "Show do Milhão" é uma cópia do "Programa do Jô", já que ambos têm perguntas e respostas.

Por favor, amigos jornalistas, mais cuidado com o que escrevem. Ao contrário do que possa parecer, alguém sempre te lê!

PS: Eu odeio o jornalismo no fim de semana!

Publicado por Gustavo Jreige em 18:50,


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Sábado, Março 11, 2006


Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2006


Aguarde.

Publicado por Gustavo Jreige em 21:31,


Viagem
Foi hoje o último capítulo da novela Alma Gêmea, que tratava de espiritismo, amor além da vida e reencarnação. O final foi totalmente no clima da novela, com passagens nada comuns e sobrenaturais. Os efeitos especiais foram fracos e a história bastante didática, como sempre. A cena que mais chamou minha atenção - e de todos com que assisti - foi a que mostrava o casal protagonista, com eles já mortos, em algum lugar do além trocando de feições, demonstrando que eram "almas gêmeas" em várias encarnações. Assim, apareceram como diversas duplas, sendo elas de sexo oposto ou não, com tipos diferentes de relação, no que eu enxerguei como demonstração de que almas gêmeas não seriam apenas casais apaixonados, mas pessoas com qualquer tipo de amor e relação, sejam amigos, da família ou, claro, namorados.
No entanto vejo a manchete, no UOL Televisão, que "Final de "Alma Gêmea" insinua homoerotismo". Fui ler, era do site Mix Brasil e se referia à cena acima citada, onde eles apareceram como várias pessoas, de diversas épocas.
Diz o site:
"Em uma das imagens, os dois estão encarnados em escravos negros, que aparecem acorrentados e sendo açoitados. O olhar apaixonado dos dois é evidente. Em outra, são duas freiras que se olham de maneira nada convencional."

Será que esse redator ou a "comunidade gay e lésbica", como eles se referem na nota, não conseguiram decifrar que se tratava de outro tipo de amor?
Duvido muito que o autor, que durante toda a novela pregou o sentimento puro e inocente, com moralismo e didatismo, fosse ousar agora sair do puritanismo cristão.
Viajaram na busca de insinuações ou eu viajei na boa vontade?

De qualquer jeito, a audiência do capítulo foi lá em cima, assim como a de toda a novela, com índices dignos de trama das oito: média de 52, pico de 56 e share de 70%, segundo dados prévios do Ibope. Parece ter agradado.

Missão difícil a de Sinha Moça de manter uma audiência tão alta. Pra mim, começou mal: As fontes utilizadas na logomarca da novela me dão desconforto, pois são muito comuns e parecem já ter sido usadas. Além disso, todas as mulheres noveleiras que conheço disseram, ao ver a chamada, que a trama era muito parecida com a de Cabocla, também exibida no horário das seis.
Vamos ver no que dá.

Publicado por Gustavo Jreige em 00:33,


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Quinta-feira, Março 09, 2006


Carlos Nascimento
O jornalista, que já estreou no Jornal do SBT, sem grandes índices de audiência, participou hoje de um bate-papo com internautas, no UOL, teclando diretamente do SBT. Não acompanhei ao vivo, mas o arquivo mostra que foi bem bacana e verdadeiro (entre várias coisas, ele admite ter dado porrada em uns caras e até corrige um internauta que escreveu "haver" para "a ver"!).
Embora parte do que ele falou não passe de conteúdo-padrão de entrevista de âncora que muda de emissora - ou seja, acha que o jornalismo precisa se renovar e sempre pensa nisso, além de procurar novos desafios e objetivos -, é possível encontrar um jornalista sério, humano e divertido. Um papo informal e honesto com cara bem bacana.
Ainda não assisti ao novo Jornal do SBT - Edição da Noite - pretendo fazer isso hoje, e a análise estará no podcast, sejá lá quando for -, mas fiquei muito triste mesmo dele ter saído da Band. O Jornal da Band estava ótimo e ele caracterizava o telejornal. Mesmo assim, pelo pouco que vi, parece que sua ausência não mudou tanto as coisas por lá, felizmente.

Tomara que ele consiga fazer algo bom no SBT; que não desista de construir uma personalidade no telejornal como a Ana Paula Padrão desistiu.

PS: Em certo momento da entrevista, ele diz: "No SBT os ventos da mudança estão soprando". Assistiu ou não aos comerciais de Everwood no Warner Channel?! Só espero que não diga, em uma próxima entrevista, que "os ventos de mudança estão alvoroçando hormônios". Ficaria muito estranho! ;-)

Publicado por Gustavo Jreige em 21:01,


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Segunda-feira, Março 06, 2006


Oscar
Brokeback Mountain não foi proclamado o melhor filme do ano, mas levou três Oscars, os de Trilha Sonora Original, Roteiro Adaptado e o de Melhor Diretor, para Ang Lee. Não brilhou tanto quanto os refletores anunciavam, de 8 indicações, "só" 3 estatuetas, sendo duas em categorias técnicas.
O principal prêmio da noite ficou com Crash, que também levou Roteiro Original e Edição, tirando, nesse última categoria, o Oscar de O Jardineiro Fiel. O filme dirigido por Fernando Meirelles ficou com o prêmio de melhor Atriz Coadjuvante, para Rachel Weisz. Johnny e June também só levou um, o de melhor Atriz para Reese Witherspoon.
Também ganharam três Oscars Memórias de Uma Gueixa e Godzilla, mas só em categorias técnicas.
O melhor Ator Coadjuvante foi George Clooney, por Syriana, e o prêmio de melhor Ator ficou com Philip Seymour Hoffman, por Capote.
Munique e Boa Noite e Boa Sorte não levaram nada.

Acompanhei a cerimônia pela Globo e, às vezes, pelo TNT. Nenhuma grande falha, nada demais, além da notável ausência de tradutores homens e da maturidade profissional de Maria Beltrão, que já tinha se destacado no carnaval carioca. Ela está cada dia melhor.
A entrega dos prêmios não teve atrasos nem incidentes, ocorreu da forma tradicional: bem bonita e um pouco monótona.

Ambos os canais que transmitiram o Oscar 2006 fizeram boas escolhar para o pós-premiação. No TNT, O Crime do Padre Amaro, que foi indicado - e apenas indicado - ao Oscar de Filme Estrangeiro, em 2003. Na Globo, o frenético Moulin Rouge, que me faz ficar acordado até agora, assistindo novamente. Adoro esse filme por seu carater inovador (na linguagem, no gênero), pelo mundo mágico, exagerado e surreal criado e pela arte de brincar com clichês e músicas pops. Uma bela história de amor, com belas atuações, imagens riquíssimas e trilha sonora magestosa (daquelas que te fazem rir, cantarolar, suspirar e - nas pessos mais sensíveis - até chorar). Um belo filme, vencedor de 2 Oscars em 2002, quando foi indicado a 8 categorias no total.

Uma noite cinéfila e agradável, com o clima brega e glamuroso do prêmio mais importante do cinema mundial.

Publicado por Gustavo Jreige em 03:06,


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Domingo, Março 05, 2006


Madruga Musical
Quem é leitor daqui há algum tempo se lembra das sempre muito agradáveis noites de final de semana, quando eramos - todos do bairro, independente da quantidade de paredes - contemplados pelas belas canções que o posto de gasolina da esquina gentilmente tocava no último volume. Era uma seleção musical de qualidade imbatível, comandada pela mais fina expressão de nossa música popular nos últimos anos, a Banda Calypso.
Acabou. Nunca mais pudemos permanecer irremediávelmente acordados enquanto essas músicas tocavam, certamente devido a um abaixo-assinado promovido pelos mal-agradecidos (e sonolentos) moradores da região endereçado à prefeitura municipal (lembram-se do meu dilema para assinar? Por um lado, eu pediria o fim dessas atordoantes madrugas musicais, por outro, participaria da primeira manifestação política dessa gente razoavelmente civilizada. Pois é, assinei. Se culpa matasse...).

As madrugadas de quinta, sexta, sábado, domingo e segunda ficaram vazias. Um silêncio que dava até sono, um absurdo.
Felizmente alguma boa alma teve hoje uma idéia que me levou culturalmente às estrelas: Resolveu aprender a tocar flauta e nessa madrugada começou seus ensaios, tendo a bondade de compartilhar esse momento tão importante para a história musical brasileira com todos nós.
Que belo som tem a flauta às 2 da manhã. Como é bonito ouvir as inovadoras notas musicais emitidas pelo sublime instrumento tomaram todo o bairro e afastarem as monótonas horas de silêncio e sono coletivo.

Perdemos Calypso e todas aquelas excelsas canções, mas ganhamos agora o doce e insigne som dessa mágica flauta.
Que bela perspectiva para um começo de semana pós-carnaval.

PS: Junto com as madrugas musicais, esse blog volta a ser atualizado, agora também por meios novos. Conto depois.

Publicado por Gustavo Jreige em 02:32,


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