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OutrOs OlhOs

por Gustavo Jreige

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Agradecimentos ao Inagaki


Licença Creative Commons
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Sábado, Agosto 26, 2006


Considerações acerca de fatos da semana
- O caso dos roubos de posts do Querido Leitor, felizmente, tomou a proporção que eu esperava. Toda a blogosfera e sites de jornalismo debatendo o caso, exatamente o que eu queria que acontecesse (leia o post imediatamente anterior). Começou pelo BlueBus, para onde eu mesmo mandei E-mail avisando (na nota, sou eu o espaço em branco entre a vírgula e a exclamação depois do "obrigado pela dica", meu nome e E-mail sumiram misteriosamente!), e foi para o Comunique-se, o mais importante site da comunidade jornalística brasileira. Pena que o Observatório da Imprensa não noticiou o ocorrido, talvez por ser muito engessado. Mas, tudo bem, a repercussão foi grande e é isso que importa.
Que discutamos os blogs seriamente. É o primeiro passo antes de criarmos algo maior (o que acontecerá, em breve).

- Coincidência ou não, essa semana minha faculdade (Cásper Líbero, em São Paulo) promoveu um ciclo sobre "Cultura Livre". Além de atividades - como computadores com Linux para experimentarmos, aulas sobre GIMP (um similar ao Photoshop, de código livre) e Twiki (uma ferramenta de escrita colaborativa) - aconteceram palestras com especialistas da área. A primeira foi exatamente sobre livros e direitos autorais, mas não tive tempo de assistir, infelizmente. Aconteceram ainda palestras sobre música, monopólios da comunicação e do conhecimento e sobre softwares livres. Tudo muito interessante e importante para os futuros jornalistas e profissionais da comunicação, claro, mas pude comprovar uma coisa que já tinha percebido na web, em ataques a amigos meus: Como os defensores do Linux são chatos! Embora eu até acredite na causa e nos princípios que regem a cabeça dessas pessoas, não posso entender quem encara informática como filosofia de vida. Extremistas nunca são aceitáveis.
E o pior: na mesa de discussão não tinha ninguém para se opor ou de fato discutir, o que, ao meu ver, tirou toda a credibilidade. Se o Linux não fosse realmente melhor para os propósitos para que o uso, no servidor do blog, eu mudaria para uma plataforma Windows, só de raiva.
Em compensação o debate sobre música foi ótimo e me motivou, junto com o acontecido com a Rosana Hermann, a escolher o tema do terceiro podcast: Direitos autorais e uso de licenças.

- Falando em podcast, o segundo, sobre os hits da internet, está sendo produzido. Se você quiser participar, mande sua mensagem em áudio falando qual seu hit favorito, que eu coloco no ar.

- O jornalista e blogueiro Fernando Rodrigues lançou no UOL o site Políticos do Brasil, que traz um banco de dados com as declarações de bens de políticos eleitos nas últimas duas eleições presidenciais e também dos candidatos em 2006. Um trabalho árduo e importantíssimo, realizando muito bem por Fernando, que também lançou o projeto em livro homônimo pela Publifolha. Até inspira ver bons jornalistas fazendo coisas realmente úteis a nossa sociedade. Conheça!

- Vem aí o Olhos do Brasil.

Publicado por Gustavo Jreige em 18:16,


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Quarta-feira, Agosto 23, 2006


Posts roubados
Um leitor do Querido Leitor, da Rosana Hermann, encontrou dois posts que ela havia escrito no blog em uma coluna de Miltinho Cunha no jornal O Estado de Florianópolis.
Ela foi pesquisar, viu que se tratava mesmo de cópia e ligou para o jornal, que retirou a coluna da web. Tarde demais, um dos posts já tinha ido parar em um clipping online do PFL!
Aí os leitores da Rosana começaram a enviar colunas anteriores desse mesmo Miltinho, com vários outros posts dela chupados! Ele respondeu em sua coluna de hoje:

Arrombassi!
Fonte que colabora com a coluna, ontem ligou assustada. Na intenção de nos ajudar, nos colocou numa tremenda fria. Copiou despudoradamente duas notas de outra coluna na internet e nos repassou sem ao menos escrever sobre a mesma coisa, mas com suas próprias palavras. Claro, dando a entender de que era a autora. Situação desagradável!
Fica aqui a correção e o devido crédito à legítima autora Rosana Hermann.
Assim tu arrombas com a minha tarrafinha toda!


Só que não são apenas dois, mas vários posts roubados! A blogueira, claro, vai processar, mas acredito que o problema seja bem maior.

Não é de hoje que os veículos de comunicação são copiados, mas com a web é ainda pior, graças àquela velha idéia de que a internet é um território livre. Não basta uma blog reclamar ou o Globo Online mudar o formato de seu site para evitar cópias de jornais pequenos, que prejudicavam as vendas da Agência O Globo. Não basta meia dúzia de pessoas dizerem "caramba, que chato". Para boa parte da comunidade midiática caiu na rede, é público, independentemente de quem criou aquele material. Se nós, blogueiros, jornalistas, publicitários, enfim, pessoas de comunicação, não fizermos nada, nunca os blogs e a internet como um todo serão respeitados.

Adoraria que os produtores de conteúdo - inclusive as associações de jornalistas - e os publicitários (que decidem onde o dinheiro dos anunciantes será aplicado) se unissem para discutir uma solução não imediatista, que desse um retorno efetivo.
Que não tenha mais jeito a prática de CTRL C / CTRL V sem autor por parte de pessoas comuns na web, ok, até aceito. Mas isso ir para um veículo de comunicação e passar batido, é inadmissível.

Posts sobre isso no Querido Leitor: 1, 2, 3, 4, 5,6 e 7

E o link da coluna do Miltinho Cunha.

Publicado por Gustavo Jreige em 01:02,


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Segunda-feira, Agosto 21, 2006


Primavera dos Livros: Faltou literatura na discussão dos blogs



Aconteceu no último sábado, no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, a mesa de discussões "Blog e Literatura: Blog é literatura?", dentro da Primavera dos Livros, um evento sobre o mercado editorial que tem programação e proposta muito interessantes. O debate mediado pelo jornalista Marcelo Duarte (do Guia dos Curiosos) com a participação das blogueiras e escritoras Ivana Arruda Leite (do Doidivana), Rosana Hermann (do Querido Leitor), Índigo (do Diário da Odalisca) e Raquel Pacheco (do Diário de Bruna Surfistinha) pretendia tratar dessa nova vertente: Afinal, os blogs formarão um novo período literário? Não conseguiram, os blogs foram discutidos, a literatura não.

A formação da mesa já denunciava: de um lado, as autoras de ficção que têm blogs não tão conhecidos, Índigo e Ivana; do outro, duas das blogueiras mais populares do país (Rosana e Raquel), mas que não têm uma carreira literária tão consolidada (apesar do livro erótico de Raquel / Bruna, "O Doce Veneno do Escorpião", ser um dos mais vendidos do país há cerca de um ano, se isso contar como literatura). E foi assim, as primeiras defendiam os livros e, as últimas, os blogs; nenhuma discutiu como ambos podem se unir efetivamente no universo virtual, se tornando rentável, por exemplo. Menos ainda foi discutido sobre as influências dos blogs na literatura tradicional, seja pela interação possível ou pela linguagem diferenciada. Uma pena, mas pareceu que nenhuma delas tinha pensado nessa hipótese, de que os blogs podem não ser apenas "vitrines" de seus trabalhos, mas o veículo em si.

"O blog gera uma crise existencial em mim. Às vezes desperdiço em poucas linhas temas que poderiam dar um conto ou, quem sabe, até mesmo um romance. É um problema", confessou Ivana. "O que escrevo de bom, eu guardo, não vai para o blog. No entanto, ele me dá mais prazer, pois tem o retorno imediato do leitor. Às vezes com uma postagem de 5 minutos vem alguém e me diz esse texto mudou minha vida, o que quase nunca acontece com os livros", concordou Índigo. "Fazer blog é um prazer e todo prazer, seja ele no sexo ou na escrita, não dura. Acontece e acaba. Os livros são eternos, vão ficar guardados para sempre. O blog é o exercício do descartável, o melhor post, feito com muito trabalho, sairá da página principal quando você publicar mais coisas, sejam elas bem feitas ou não. E aí, como em toda mídia eletrônica, acaba, não será mais lembrado", refletiu Rosana, sem dúvida nenhuma a que mais entendia de blogs e os levava a sério entre as quatro.

Não estranhe a ausência de declarações da Bruna Surfistinha no parágrafo anterior, pois ela realmente não participou das discussões travadas e apenas respondeu às perguntas feitas pelo mediador e pela platéia, ficando boa parte de tempo na defensiva enquanto as demais falavam. Com motivo, já que por várias vezes as outras palestrantes cometeram gafes até mesmo preconceituosas com a garota (ou ex-garota, se quiser levar por esse lado). Após Bruna se apresentar, contando o porque de fazer um blog e o que relatava nele, foi a vez de Índigo falar. E começou mal, bem mal. "Eu nunca tive experiências assim como a Bruna, mas também já tive alguns trabalhos bem escrotos", disse ela, se referindo ao seu blog anterior, 73 Subempregos.
Até a própria Rosana, que foi quem garantiu os melhores momentos do debate e quem mais se interessou pelo que Bruna tinha a falar (além do público, claro, que a encheu de perguntas no final), acabou errando o tom em certo momento. Após a Surfistinha dizer a audiência diária de seu blog, alta mesmo depois de abandonar a profissão de prostituta, pediram para que a Rosana falasse a média de acessos do Querido Leitor. "Sou mãe de família, tenho dois filhos e, ainda assim, meu blog tem 15 mil visitantes diários", disse ela, com referência ao conteúdo da página de Bruna, que tem 25 mil visitantes por dia (ou seriam page views? Ela não deixou claro). Índigo e Ivana que protagonizaram hilárias expressões de espanto e descrédito com os números apresentados pela ex-garota de programa não quiseram dar suas estatísticas de acesso, dizendo que seria humilhação em vista dos índices superlativos antes apresentados.
Índigo foi quem mais deu bolas foras, agindo em alguns momentos com uma dispensável descortesia travestida de humor, um sarcasmo desnecessário, que contrastava com as coisas interessantes e de fato engraçadas que dizia.

Quando o público pôde fazer perguntas, a atenção se voltou especialmente para Bruna Surfistinha. Se falou ainda sobre direitos autorais (com a Ivana, para meu espanto, orientando que a Rosana parasse de correr atrás de quem publica seus textos sem crédito) e sobre a relação dos blogueiros com os leitores (com a Bruna e a Rosana contando que já sofreram ameaças em seus blogs e com esta me citando como exemplo de leitor e amigo, cronologicamente nessa ordem). Ivana oportunamente arrematou: "A vida de blogueira é tão mais emocionante do que a de escritora...". Com certeza, aos espectadores ali presentes, pareceu ser.

O encontro foi bom, bem gostoso de se assistir, embora com o conteúdo não tão forte. Talvez tivesse sido melhor caso convidassem, por exemplo, a Alê Félix (do Amarula com Sucrilhos e da Editora Gênese, que publicou inclusive o Blog de Papel [mas que, para nosso azar, não expôs na feira]), que poderia falar mais profissionalmente de literatura e blogs. Uma pena, mas para se alcançar uma discussão madura como essa, teremos que esperar mais algumas primaveras. E outonos.



PS: A propósito, a platéia estava repleta de blogueiros! Finalmente conheci o Alexandre Inagaki, mas, infelizmente, não deu tempo de conversarmos. Fica para a próxima.

Publicado por Gustavo Jreige em 01:25,


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